Por que os fundos de sustentabilidade valorizaram apesar do coronavírus? 

Fundos de sustentabilidade se destacaram no primeiro trimestre de 2020 em comparação a fundos convencionais

 

“As empresas que seguem na direção da sustentabilidade  serão as que lembraremos como empresas que nos ajudaram a superar esta crise (instaurada pela pandemia de coronavírus) e as que se tornarão exemplos para outras empresas”, comentou Jon Hale, responsável pelo setor de pesquisas em sustentabilidade na Morningstar, empresa internacionalmente conhecida por sua atuação com análises de dados de investimentos, em recentemente artigo publicado no site da empresa.

fundos de sustentabilidade

 

Na análise, Hale faz comparações entre os investimentos realizados em empresas com forte perfil socioambiental e seus respectivos fundos convencionais, obedecendo a critérios previamente estabelecidos pela pesquisa.

Os resultados são animadores: os investimentos em fundos de sustentabilidade fecharam o primeiro trimestre deste ano acima dos fundos convencionais; se mantiveram melhores ao longo da crise ainda existente e perderam menos.

Confira alguns dados.

  • a pesquisa da Morningstar comparou 26 fundos de índices de sustentabilidade e seus convencionais equivalentes cobrindo ações dos Estados Unidos, de mercados de países desenvolvidos e de mercados de países emergentes. Dos 26, 24 de sustentabilidade performaram melhor do que os convencionais com os quais foram comparados;
  • a cada 10 fundos de sustentabilidade  acompanhados, 7 encerraram o primeiro trimestre de 2020 nas metades superiores de seus rankings de avaliação;
  • também ao longo do primeiro trimestre, foram comparados retornos apresentados por mais de 200 fundos de ações – de sustentabilidade e convencionais equivalentes – abertos e negociados em bolsas disponíveis nos Estados Unidos. A comparação mostrou melhor desempenho, em base relativa, dos fundos sustentáveis e apontou que 44% do total de retornos dos fundos sustentáveis foram os melhores de todos os trimestres já analisados;
  • em contrapartida, somente 11% de fundos de ações de sustentabilidade fecharam o primeiro trimestre de 2020 registrando o pior da categoria. Portanto, ficou registrado quatro vezes mais sucessos do que fracassos nos retornos dos fundos de ações de sustentabilidade no período.

 

O que explica a melhor performance de fundos sustentáveis mesmo em meio à crise?

 

Para o ph.D. Jon Hale, três fatores colaboram com os fundos de sustentabilidade:

1) o perfil ESG de empresas (de governança ambiental, social e corporativa);

2) a menor exposição às variações das ações de energia do que outros índices de mercado. Um destaque: os dados da pesquisa apontam que, para fundos de ações de sustentabilidade é possível afirmar que uma menor exposição às variações do mercado energético tem vínculo com retornos mais altos;

3) a tecnologia e, mais especificamente, a tecnologia da informação. Apesar de terem impacto muito menor em comparação com as ações de energia já mencionadas, a tecnologia e a TI também influenciaram no desempenho superior dos fundos de índice de sustentabilidade, principalmente nos mercados norte-americanos e de países desenvolvidos e muito pouco nos mercados de países emergentes. No geral, fundos de ações de sustentabilidade não tiveram impacto em seus retornos causado pela exposição tecnológica.

O perfil ESG de empresas é, segundo os pesquisadores, a principal razão para a melhor performance de fundos de sustentabilidade quando comparados aos convencionais neste primeiro trimestre de 2020. Estas empresas, que fazem parte dos fundos de sustentabilidade e pertencem a diversos setores e países, por serem empresas com certificado ESG tendem a priorizar o enfrentamento de desafios ambientais, a tratar bem seus acionistas, investidores e pessoas interessadas e a manter uma administração ética.

Para Jon Hale, muitas delas estão provando ser mais resilientes durante a crise. O pesquisador afirma: “são as companhias de qualidade do século XXI e em mercados difíceis têm a tendência de se comportar melhor do que outras companhias”.

Aqui no Brasil, algumas empresas já começam a incluir no planejamento estratégico anual uma atuação que direcione a empresa para as boas práticas ESG. A B3, por exemplo, já apresenta em seu roadmap estratégico a gestão de carbono – incluindo parceiros para a compensação aliada a cobenefícios socioambientais – além de uma visão de futuro alinhada com a gestão da mitigação das mudanças climáticas como um importante fator de impacto nos recursos e nas atividades da empresa.

*A íntegra do artigo redigido por Jon Hale em seu idioma original está na página da internet da Morningstar.