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B3 altera ISE e demonstra a importância de boas práticas ambientais para a economia brasileira

A bolsa de valores Brasil, Bolsa, Balcão (B3), a mais importante do país, vai alterar o seu Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) 15 anos após a sua criação. A mudança passa a valer já a partir de 2021 e vai se concentrar em empresas que possuem atuação ambiental responsável, com iniciativas sustentáveis. Esse é um passo que indica de forma ainda mais contundente uma modernização no mercado financeiro, que começa a priorizar as corporações que adotam boas práticas ambientais, sociais e de governança.

Atualmente, a B3 aplica um questionário no qual avalia quais empresas podem ou não fazer parte do ISE, que tem uma carteira avaliada em cerca de R$ 1,64 trilhão, com 30 organizações de 15 setores diferentes. Para entrar no índice, uma empresa precisa demonstrar excelência de gestão nas áreas ambiental, corporativa, geral, econômico-financeira, social, de natureza do produto e de mudança do clima. Em 2021, questões setoriais e suas consequências ambientais também serão consideradas.

Além disso, a reformulação e revisão do índice vai incluir também protocolos de divulgação de informações e dados da carteira e seus componentes. Assim, o ISE se torna mais transparente para o investidor, que terá acesso ao mapa de riscos, aos indicadores setoriais e ao desempenho das empresas. E essas informações vão ser ainda mais precisas com o novo questionário, já que o contexto e o setor de cada organização serão levados em conta e avaliados.

A construção da economia do futuro

Todas essas mudanças têm como objetivo fazer com que o ISE se torne cada vez mais atrativo para as empresas e para os investidores. Isso porque a adequação às práticas de sustentabilidade ambiental passou de uma preocupação exclusiva de organizações e países para um dos fatores decisivos do mercado, tanto para as empresas como para os consumidores. As posições sociais, de governança e ambientais podem prenunciar perspectivas de sobrevida de um negócio e potenciais ganhos de um investimento.

Com a crescente importância das questões ambientais, a B3 buscou se atualizar com base nas metodologias internacionais mais bem avaliadas pelos mercados financeiros globais, como o modelo suíço da SAMCorporate Sustainability Assessment. Esse é mais um passo na adequação brasileira às novas práticas de negócios, além de ser uma grande oportunidade para que empresas nacionais se renovem e façam parte do ISE. Afinal, algumas das maiores empresas que atuam no Brasil são financiadoras do índice, como a petroquímica Braskem, a BR Distribuidora, a construtora MRV e os bancos Santander, Itaú e Bradesco.

Para atender essas novas exigências da economia global, é possível que as organizações se atualizem de diferentes formas. Exemplos disso são os protocolos para diminuir a emissão de gases do efeito estufa e compensar os danos que a cadeia produtiva causa ao meio ambiente, como a metodologia inovadora de Gestão de Carbono da Sustainable Carbon. Além disso, existem diversos programas que unem em uma única iniciativa a compensação de emissões, o apoio à conservação das florestas e o investimento social em comunidades, como ocorre no  Projeto Marajó desenvolvido na Ilha do Marajó, no Pará.

É se adequando a essas novas exigências e encontrando novas formas de se desenvolver de forma sustentável que as empresas estarão mais preparadas para atender aos anseios do mercado, tanto atuais quanto futuros.