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O acordo de Paris – o que aconteceu na COP 21?

21/12/2015

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A COP 21 em Paris chegou ao fim, trazendo como resultado o tão aguardado acordo climático. Mas afinal, quais são as perspectivas para as mudanças climáticas e o mercado de carbono? O que o acordo tem a nos oferecer?

Diplomaticamente, o acordo pode ser considerado um sucesso. Aprovado pelos 195 países mais União Européia, ele reforça a meta de um aumento máximo na temperatura entre 1,5ºC e 2ºC. Além disso, prevê a criação por parte dos países considerados ricos de um fundo de garantia de US$ 100 bilhões anuais, voltado para o financiamento de medidas de redução das emissões.

Pela perspectiva ambiental, para o climatologista Kevin Anderson e o professor David Victor, da Universidade da Califórnia, o acordo é fraco e não muda a realidade em que vivemos. Ele apresenta condições para um avanço na redução das emissões, mas não aponta claramente uma direção a ser seguida.

As lacunas começam a aparecer ao observamos a falta de prazos e definição de ações concretas que ajudem a atingir essa meta. Além das INDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas, em inglês), as propostas voluntárias levadas por cada país, nenhuma ação oficial foi definida para frear o número de emissões e, consequentemente, o aumento da temperatura global.

E o problema fica pior: sabemos que, mesmo que todas as INDCs sejam de fato cumpridas, ainda assim não seria o suficiente para o acordo ser cumprido e o nível da temperatura não passar de 2ºC. O limite de 2ºC é considerado crítico, pois, caso seja ultrapassado, levaria à uma modificação drástica do clima na Terra, influenciando diretamente na produção de recursos para os seres humanos, dentre outros impactos.

A proposta do acordo é otimista, porém irá demandar um esforço gigantesco de todas as nações. Todo o processo industrial como existe hoje precisa ser revisto para que a curva de emissões de CO2 para a atmosfera caia consideravelmente, evitando o pior cenário. Como lado positivo, o acordo prevê uma revisão das INDCs a cada 5 anos, a partir de 2023, para que elas sejam ajustadas e cada vez mais se aproximem da meta a ser atingida.

O investimento massivo de governos em combustíveis fósseis, levando os seres humanos á total dependência deles, é o principal vilão que temos. A busca por alternativas de energia sustentáveis e a substituição de combustíveis fósseis demanda dinheiro e, principalmente, boa vontade de governos e das corporações.Sabemos, no entanto, que empresas do setor privado estão cada vez se mostrando mais preocupadas com seus impactos. A We Mean Business, uma coalizão de corporações, representa mais de 19 trilhões de dólares em ativos privados comprometidos com a economia de baixo carbono e seus representantes foram até Paris mostrar sua disposição em investir em soluções verdes e para pressionar as lideranças globais por políticas e metas ambiciosas em curto e longo prazo.

O acordo de Paris foi uma corda lançada no fundo do poço. Cabe a nós decidirmos se queremos ou não subir.