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Mudanças climáticas: riscos e oportunidades

02/02/2016

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Créditos da foto: jenny downing via Visualhunt / CC BY

As mudanças climáticas são uma realidade e já afetam a sociedade em conjunto, tanto cidadãos quanto empresas. Apesar de ser um dos maiores riscos que o planeta enfrenta, o surgimento de ações que buscam desenfrear seus avanços é também uma das maiores oportunidades econômicas nos dias atuais.

A transição para uma economia de baixo carbono é a principal alternativa para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento econômico sustentável. Os investimentos em ações para que essa transição ocorra muitas vezes parece não oferecer retorno perceptível. Porém sabemos que os custos de ação são menores em relação aos custos de omissão, já que quanto mais demorarmos para atingirmos as metas necessárias, mais cara para o planeta e para a economia elas se tornam.

A We Mean Business é uma coalizão de grandes organizações espalhadas pelo mundo que trabalham em conjunto com grandes empresários e investidores para buscarem soluções rápidas e economicamente viáveis para o combate ao aquecimento global. Juntos, a We Mean Business representa mais de 19 trilhões de dólares em ativos comprometidos com a economia de baixo carbono. Na última Conferência das Partes, em Paris, seus representantes estavam presentes e pressionaram as lideranças políticas para metas mais ambiciosas. Assim, a participação do setor privado nunca foi tão forte.

No Brasil, de acordo com relatório divulgado em 2013 pela CDP Brasil, 55% das maiores empresas possuem metas de redução de emissões. Além disso, 69% delas reconhecem oportunidades relacionadas a regulamentações de atividades de combate ao clima.

O Brasil é um dos países que mais enfrenta desafios na adaptação de um novo modelo de negócio sustentável, graças a sua grande representatividade de fontes renováveis em sua matriz energética. Apesar disso, os investimentos em redução de emissões no setor da agricultura são relativamente baixos, e o Brasil ainda se mostra dependente da extração do petróleo (principalmente com o avanço do pré-sal), o que dificulta a transição para modelos sustentáveis. Para Gilberto Câmara, Coordenador do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, deixar de investir na expansão de fontes renováveis de energia é uma oportunidade desperdiçada. e que poderíamos assumir uma liderança internacional no setor da bioeconomia.

O mercado de carbono vem se apresentando cada vez mais como um dos principais movimentos financeiros em relação as mudanças climáticas. Seja pelo investimento em medidas de baixa emissão ou em conservações de florestas, a geração de créditos de carbono estimula a economia e investimentos em ações sustentáveis, que geram empregos e outros benefícios socioambientais paras partes envolvidas. A falta de regulamentação dificulta o crescimento global do mercado, mas o caminho vem sendo traçado aos poucos.

De uma forma geral, os riscos sempre vem associados com oportunidades de crescimento. Quanto mais cedo empresas perceberem, melhor será para o planeta e o desenvolvimento sustentável da economia.

Fontes:

http://www.wemeanbusinesscoalition.org/

http://cebds.org/noticias/maioria-das-empresas-brasileiras-percebe-riscos-das-mudancas-climaticas/#.VrCzpfkrKUk